FRUTICULTURA

O Maracujá na Ilha da Madeira

O Maracujá é um fruto exótico produzido pelas plantas do género Passiflora da família Passifloraceae. O nome da planta é também conhecido como maracujazeiro.

A cultura do maracujazeiro pode ser feita em latada ou espaldeira em terrenos de maiores dimensões, mas também pode e deve ser usada na base de paredes e em bordaduras de terreno. Sendo uma planta trepadeira, acaba camuflando por vezes o “betão” e dando um mosaico colorido à paisagem. Tem uma boa adaptação a áreas inclinadas, o que contribui para o aproveitamento dos terrenos e evita a erosão dos solos. Embora existam já alguns pomares industriais no Algarve e vários ensaios de média dimensão (cerca de 1 hectare) na região de Braga e Viana do Castelo (ao ar livre e em abrigo), é a Madeira que lidera a produção nacional.

A cultura do maracujá na Ilha Madeira possui três variedades: o roxo regional, o brasileiro amarelo e híbrido F1. O roxo regional é o mais característico da Ilha e, apesar de pequeno, continua a ser o preferido por muitos devido ao seu intenso aroma e sabor.

A área de plantação de maracujá na Ilha da Madeira atualmente ronda os 25 hectares, e uma produção de aproximadamente 140 toneladas/ano, apesar de 2018 não ter sido um ano favorável para este fruto devido ao seu verão atípico e ventos fortes registados no 1º trimestre do ano, que causaram muitos estragos em várias plantações, inclusive a do maracujá. Outras das preocupações dos produtores são as pragas, tais como o vírus lenhificante do maracujazeiro e a fusariose.

Apesar das dificuldades sentidas por alguns produtores tem havido um crescimento no número de plantações. Segundo a Direção Regional de Agricultura e Pescas, foram aprovados desde 2016 mais de 30 projetos para a cultura do maracujá, que representam uma área aproximadamente de 10 hectares, e com um investimento elegível de 3,7 milhões de euros. Com grande interesse e com potencial de crescimento, atendendo à sua boa adaptabilidade às condições edafoclimáticas (solos arenoargilosos, pH 6,0-7,5, temperatura 25-26ºC, precipitação 1.200/1.400 mm) da Madeira – até aos 400 m costa norte, e 600 m costa sul), às características organoléticas excelentes, sabor e aroma inconfundíveis e com elevado valor nutritivo (rico em vitamina A e potássio), o maracujá da Madeira é sem dúvida um produto que merece toda a atenção e apoio, assim defende a Associação da Costa Oeste (ACOESTE).

Esta é uma associação que foi criada em 2015 e tem vindo a apoiar alguns agricultores através de formações e outros apoios relativos a agricultura.

Foi com o objetivo de querer promover o aumento do volume e da qualidade da produção, bem como a melhoria da comercialização do maracujá da Madeira, que a ACOESTE decidiu organizar a 1ª Mostra do Maracujá e Derivados. Esta iniciativa foi realizada nos dias 27 e 28 de Outubro de 2018 na Ribeira Brava, um concelho da zona oeste da ilha da Madeira. O evento teve como principais objetivos promover, debater e dinamizar aa produção regional do maracujá, valorizando assim este fruto de forma a se tornar num produto diferenciado.

A 1ª Mostra do Maracujá e Derivados contou com alguns produtores deste fruto e de empresas que apresentaram os seus produtos derivados do maracujá tais como: bolos, queijadas, sobremesas, chocolates, bombons, doces, chutneys, vinagre, gin, cerveja, rebuçados, licores, e como não poderia faltar, a poncha de maracujá. Esta última, a poncha de Maracujá, é uma bebida alcoólica típica da Madeira, feita à base de rum da Madeira, maracujá e mel de abelha, e é a responsável por grande parte do escoamento do maracujá e/ou da sua polpa, devido ao seu elevado consumo.

A Mostra contou ainda com um showcooking, que tal como o nome indica, demonstrou as potencialidades do maracujá na cozinha e um workshop de cocktails feitos com maracujá.

Desta forma foi possível dar a conhecer a grande diversidade de aplicações que o maracujá pode ter e que, tal como a banana, o maracujá tem grande potencial para se tornar uma fruta rainha da Ilha da Madeira.

AUTORIA: Ricardo Côrte
Associação da Costa Oeste (ACOESTE)

Artigo publicado na Revista Voz do Campo n.º 221 (dezembro 2018)