CONSULTÓRIO CEREALÍCOLA

GIRASSOL . A cultura está a ganhar cada vez mais espaço

O girassol (Helianthus annuus) é uma planta anual da família das Asteraceae, gênero Heliantheae.

A cultura do girassol está a ganhar cada vez mais espaço, com o consumo do óleo de girassol na alimentação e devido à sua qualidade tem contribuído bastante para o aumento do plantio desta cultura, além das vantagens agronómicas de incluí-lo na rotação de culturas.

As flores de Girassol são caracterizadas por possuírem grandes inflorescências do tipo capítulo e possuem tamanhos variados desde os 7 cm aos 30,5 cm na diagonal, com disco floral escuro e lígulas radiais de cor amarela.

Podem atingir alturas que variam de 2 a 3 metros, porém existem também espécies anãs de 40 centímetros de altura. Suas folhas são ovais, opostas, pecioladas, com nervuras visíveis e ásperas. As flores são bonitas e grandiosas, e seu nome científico “Helianthus” que significa “flor do sol”, traduz perfeitamente a imponência e porte majestoso desta planta.

Cultivado em todos os continentes, o girassol é uma oleaginosa que apresenta características agronómicas muito importantes, devido ao seu crescimento que é rápido, sua grande resistência à seca, as temperaturas baixas e ao calor. Assim, apresentam grande adaptabilidade a diferentes condições climáticas.

A produção de girassol em Portugal começou como cultura de rotação com cereais como o trigo. Desde o início da sua utilização, esta cultura mostrou-se bastante competitiva, devido à facilidade de maneio e rentabilidade, traduzida no interesse da indústria extrativa de gorduras alimentares.

Um dos principais motivos para o cultivo do girassol no mundo é devido à excelente qualidade do óleo comestível que se extrai de sua semente. O óleo de girassol é muito apreciado, pois ajuda a combater o colesterol mantendo as artérias desobstruídas. É considerado uma das melhores gorduras alimentares.

Sementes de girassol. Foto: tharamust / Shutterstock.com

As variedades mais conhecidas são: sementes brancas, pretas e raiadas.

Existem cultivares para óleo: “Adalid”, “Fantasia”, “Toledo”,  “Rostov”, “Portassol”, e muitas outras.

Para consumo humano de sementes: “Agrossur”, “Alcazaba”, ”Lion´s Mane” (Pintada por Van Gogh) entre centenas de novas cultivares.

Existem também variedades para produção de flores de corte: “Strawberry Blonde”, “Teddy bear”, “Holiday”. Parte Utilizada: Sementes e pétalas (sabor agridoce).

O girassol cresce bem com temperaturas elevadas, tolerando até mesmo temperaturas próximas a 40° C. Assim, a temperatura mínima durante o ciclo de cultivo não deve ser inferior a 5° C, sendo melhor que não fique abaixo de 10° C. E vale lembrar que ventos fortes e tempestades podem causar danos nas plantas.

Local, iluminação e irrigação:

A planta precisa receber luz solar direta por algumas horas ao dia.

Quanto ao local de plantio, o solo deve ser bem drenado, profundo, fértil e rico em matéria orgânica. A planta é bastante tolerante em relação ao pH do solo, mas o ideal é que esteja entre 6 e 7,5.

Irrigue com a frequência necessária para que o solo seja mantido húmido, mas nunca encharcado. Plantas bem desenvolvidas podem suportar breves períodos de seca.

Plantio por sementes

As sementes geralmente são semeadas diretamente no local definitivo, a uma profundidade de 2 a 4 cm, pois as mudas de girassol geralmente não toleram bem o transplante. Caso sejam semeadas em sementeiras ou em copinhos feitos de papel jornal, faça o transplante assim que as mudas estiverem prontas para serem manuseadas sem sofrer danos, mas antes que as raízes ocupem todo o volume do recipiente. As sementes germinam normalmente em uma ou duas semanas.

Para se definir a melhor época para plantar girassol, devemos levar em conta alguns parâmetros:

1. Girassol necessita de humidade no solo aproximadamente até o 60º dia após germinação.

2. A floração do girassol não deve coincidir com períodos húmidos e frios.

3. A floração e enchimento de grão também não devem coincidir com períodos muito chuvosos.

4. A colheita do girassol, também não deve coincidir com época muito chuvosa.

5. No período que vai da formação botão floral até o final da floração, não devem ocorrer geadas.

6. O momento de plantio deve coincidir com período de boas chuvas e temperaturas adequadas para germinação.

A época mais favorável para o plantio situa-se entre fins de dezembro e meados de fevereiro.

Dependendo da região e do tamanho da plantação, pode ser necessário colocar alguma proteção contra as aves, pois estas podem se alimentar das sementes e diminuir ou mesmo arruinar a colheita.

Colheita

A colheita do girassol é uma etapa fundamental dentro do sistema de produção, uma vez que as características próprias da planta e as condições climáticas de cada região podem dificultar a sua realização, comprometendo, significativamente, os esforços investidos nas lavouras.

A colheita pode ser feita geralmente de 70 a 90 dias após o plantio, embora isso possa variar conforme as condições de cultivo. A colheita manual deve ser realizada quando o miolo da planta apresentar cor castanho-clara.

Quando 50% da floração está aberta e as brácteas, ficam com a cor castanha e prolonga-se durante 10/12 dias. A colheita realiza-se entre setembro e outubro.

A produção atinge entre 1000-3500 Kg /ha. As sementes podem ser secas e transformadas em óleo ou para consumo da semente inteira. Se a humidade relativa for 60% e a temperatura de 60ºC, as sementes estabilizam a sua humidade ao fim de algum tempo, quanto as sementes tiverem 7,1% se são para óleo e 9,2% se são para consumo.

O girassol contém um elevado valor proteico e são ricos em vitamina E, B1, B2, B3, A, D e E, cálcio, fosforo e ferro. A sua época de  consumo é outubro-novembro.

Fertilização

O período onde ocorre maior taxa de absorção de nutrientes e crescimento mais acelerado da planta de girassol é o da fase imediatamente após a formação do botão floral até o final do florescimento. Neste período, também é grande o consumo de água pelas plantas, sendo, importante o suprimento adequado de nutrientes para que o girassol possa expressar todo seu potencial produtivo. Entretanto, é necessário haver disponibilidade de nutrientes desde o início do crescimento, para o estabelecimento normal da cultura.

O girassol é sensível a níveis baixos de boro no solo, apresentando, com frequência, nas principais regiões agrícolas do país, sintomas de deficiência desse elemento, principalmente nas fases de florescimento e maturação. Os sintomas mais comuns e de mais fácil perceção aparecem nas folhas jovens, capítulos e caules. As folhas jovens têm o crescimento reduzido, ficam deformadas e de coloração verde pálida, evoluindo para a coloração de castanho escuro, tomando-se finalmente espessas e quebradiças.

Para uma adubação correta deve aplicar estrume de vaca, coelho, ovelha, bem decomposto. Adubo Verde: Azevém, colza, favarola e luzerna. Exigências nutritivas: 1:2:2 ou 2:1:2, 2:1:3 (de azoto de fósforo: de potássio) + boro. Tipo de Planta: Esgotante dos terrenos, pode acumular nitratos, se forem aplicados em excesso.

Doenças:

A expansão da cultura do girassol também pode ser prejudicada pela ocorrência de doenças causadas por virús, bactérias e fungos. O girassol é hospedeiro de mais de 35 microrganismos fitopatogênicos, sendo os fungos a maioria e os mais importantes, que podem levar à redução significativa do rendimento e da qualidade do produto.

A importância dessas doenças depende, entre outros fatores, das condições climáticas, intimamente relacionadas com a época de semeadura, que favorecem a ocorrência, a infeção e a disseminação dos patógenos, além das características genéticas das cultivares utilizadas. No girassol, as doenças ocorrem com maior intensidade a partir do florescimento.

Entre as medidas gerais de controle de doenças, os seguintes aspetos devem ser considerados:

  • a resistência genética é altamente desejável e alguns híbridos atualmente disponíveis possuem resistência a doenças como o mildio e a ferrugem. Portanto, é importante utilizar genótipos testados e indicados pela pesquisa;
  • escolher corretamente a área para a semeadura do girassol, em solos sem problemas de drenagem, profundos, com boa textura e com pH adequado;
  • evitar o uso de sementes de origem desconhecida, para prevenir a entrada de patógenos com alto potencial destrutivo que ocorrem em outros países. Utilizar sementes boas, livres de estruturas de resistência de fungos, çomo escleródios;
  • realizar a semeadura em uma época que permita satisfazer as exigências climáticas da planta, nas diferentes fases de desenvolvimento e que reduza os riscos de ocorrência de epifitia, em função das condições mais favoráveis ao desenvolvimento e propagação dos patógenos. Desta forma, deve-se adequar a época de semeadura, de modo a evitar que o final do ciclo da cultura coincida com período chuvoso, para diminuir os danos causados, principalmente, pela mancha de altemária, podridão branca e outras podridões de capítulos;
  • utilizar densidade de semeadura em tomo de 40.000 a 45.000 plantas/ha. Cultivos muito adensados, entre outros fatores, formam um microclima muito favorável para a ocorrência de. doenças;
  • a cultura do girassol deve ser incluída dentro de um sistema de rotação e sucessão de culturas, retomando na mesma área somente após, pelo menos, quatro anos;
  • devido à suscetibilidade às mesmas doenças, especialmente a podridão branca, deve-se evitar o cultivo em sucessão com canola, ervilha, alfafa, soja, fumo, tomate, feijão e batata, entre outras;
  • a correção do pH do solo é fundamental, bem como a manutenção da fertilidade em níveis adequados para o bom desenvolvimento da planta de girassol. As correções e as adubações devem ser feitas sempre com base em análise de solo. Deve-se evitar adubações excessivas, especialmente de nitrogênio que, além de significar desperdício, pode tomar o girassol mais suscetível às doenças;
  • manter o cultivo livre de plantas daninhas, que podem ser hospedeiras alternativas de patógenos.

Principais doenças: Míldio, podridão da raiz, verticilose, podridão cinzenta (botrytis), Esclerotina.

Pragas: Alfinete, lagarta cinzenta, gorgulho, traças, pássaros.

Bibliografia recomendada
confrariadoagronegocio.com.br/cultivo-de-girassol-manejo-e-informacoes; ALMEIDA, A.M.R.; MACHADO, C.C.; CARRÃO-PÁNIZZI, M.C. Doenças do girassol; descrição de sintomas e metodologia para levantamento. Londrina, EMBRAPA-CNPS0, 1981. 24 p. (EMBRAPA-CNPS0. Circular técnica, 6). ; pt.wikipedia.org/wiki/Girassol; ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/77468/1/CNPSO-CIR.-TEC.-13-96.pdf; extranet.agricultura.gov.br/sislegis-consulta/servlet/VisualizarAnexo?id=13265