FRUTICULTURA

Aspetos importantes para a cultura do Abacateiro

O abacate é o fruto do abacateiro, uma árvore de porte grande (entre 15 e 20 metros de altura). De acordo com alguns estudiosos de botânica, o abacateiro é originário do México e da região da Guatemala. Plantar abacate é uma atividade cada vez mais popular no nosso país. Com o alto preço no mercado e elevada produtividade por hectar, plantar abacate pode ser um excelente investimento e uma ótima forma de rentabilizar um terreno.

O abacate tem quatro 4 vezes mais valor nutritivo do que qualquer outra fruta. É a fruta que possui maior quantidade de proteína (1 a 3% de acordo com informações do Instituto Agronômico de Campinas – IAC) e é rico em vitaminas C e E, ácido fólico, e potássio. Contém também boa quantidade de ferro, magnésio e vitamina B6, além de beta-sistotinol (que pode ajudar a baixar o colesterol do sangue) e glutationa, um excelente antioxidante.

Possui alta taxa de gordura (quantidade variável 5 a 35% de óleo polpa, na maioria ácidos graxos insaturados (60 a 84%, de acordo com informações do IAC), tornando-o muito rico em calorias, o que fez com que os especialistas em dietas abolissem o consumo desta fruta. No entanto, a maior parte da gordura no abacate é a monoinsaturada, ou seja, a gordura saudável.

Solos →
Textura (Características físicas) → Plantar abacate pode ser feito em diversos tipos de solo, no entanto a árvore requer um solo com boa drenagem pois a árvore não sobrevive com solos enlameados. O seu local pode tolerar plantar abacate se a precipitação anual não exceder os 1200mm-1300mm anuais. Acima destes valores pode prejudicar o cultivo de abacate. Deverá escolher um solo rico em matéria orgânica, adubado, permeável e profundo.

O abacateiro é uma das fruteiras mais sensíveis ao fator solo, principalmente no que diz respeito a drenagem e profundidade. Aconselham-se solos profundos, férteis, bem drenados, leves e pouco ácidos são o desejável.

  •  Permeabilidade: Solos argilosos, com alto poder de retenção de água e de difícil drenagem podem causar a morte das raízes do abacateiro, que são muito exigentes em aeração;
  •  Salinidade: um outro fator relacionado ao solo, muito importante a ser considerado para a cultura do abacateiro, no momento de implantação do pomar;
  • pH: em relação ao pH, a faixa adequada ao abacateiro está entre 5,0 e 6,5. Fora desses limites, a planta é muito prejudicada, principalmente em pH alcalino, que também é mais difícil de ser corrigido.

→ Na escolha de um local para plantar abacate, é ideal escolher um terreno abrigado de ventos fortes, pois a árvore de abacate é delicada e as suas flores e frutos podem facilmente danificar-se. Áreas muito próximas do mar também não são ideais para plantar abacate, pois a árvore é sensível ao sal. A maior parte das variedades de abacate dá-se bem em locais até altitudes de 750 metros, sem que a qualidade e produtividade da árvore seja afetada.

Clima →

Dos fatores climáticos que afetam o abacateiro, os principais são a temperatura, a luminosidade, a precipitação pluviométrica, os ventos e a unidade do ar, destacando-se dentre estes, a temperatura e a precipitação.

→ Temperatura: Considerado por vários autores, como sendo o fator climático mais importante para a cultura do abacateiro;

→ Altitude: Fato que está bastante relacionado com a temperatura e que é importante na escolha das várias espécies;

Precipitação: Precipitações da ordem de 1200mm anuais são suficientes para a cultura, desde que haja uma distribuição razoável ao longo do ano;

Luminosidade: Excesso de radiação solar pode provocar a queimadura da casca e dos frutos;

→ Ventos: Vários efeitos danosos são relatados, tais como, desfolhamento, queda de frutos, quebra de ramos, dificuldade de polinização por insetos, aumento da transpiração e predisposição ao efeito da seca, dessecamento de flores, manchas nos frutos por causa do at rito destes com os ramos.

Aconselhamento de temperaturas entre:

  • Diurnas entre 18 e 25 graus célsius;
  • Noturnas entre 12 e 20 graus célsius.
Morfologia→

Trata-se de uma planta de porte médio a elevado (12 a 20 metros), sendo que as plantas originadas de semente atingem maior porte do que as enxertadas.

A copa: pode ser ereta ou espalhada.

As folhas: não tem estípulas; possuem pecíolos curtos, são alternas, indivisas e podem ser oblongo-lanceoladas ou elíptico-lanceoladas a ovais ou obovadas; de 10 a 15cm de comprimento e 5 a 15 cm de largura; são lisas, mas com algo de coriáceo; peninervadas e de bordos ligeiramente sinuosos; a coloração varia de verde a verde-escuro, sendo ligeiramente lustrosas na face superior, e verde-cinza-mate na face inferior. As folhas novas apresentam uma leve coloração bronzeada que desaparece posteriormente, algumas variedades apresentam hábito caducifólio precedendo a floração.

O sistema radicular: é do tipo axial, com ramificações secundárias, porém, em geral, a repicagem e o transplantio provocam maior desenvolvimento de raízes secundárias devido a danos causados na raiz pivotante. As raízes do abacateiro não possuem radicela. Em condições propícias de profundidade e arejamento do solo, podem atingir mais de 6m, todavia, aproximadamente 80% do volume radicular se concentra a 1m de profundidade.

As flores: são pequenas, bissexuais, finamente vilosas, de cor branca a verde-amarelada, possuem pecíolo curto. São produzidas em grande quantidade em panículas terminais na extremidade de ramos novos, levemente pubescentes, com brácteas caducas e pedicelos tormentosos. Não possuem corola; o cálice tem 6 sépalas bastante estendidas, bem separadas. Os estames férteis são em número de 9, distribuídos em 3 verticilos; as anteras são dorsifixas e abrem-se longitudinalmente por 4 valvas. O ovário é livre, de estilo simples, e o estigma é peltado.

O fruto: é uma drupa de pericarpo delgado (casca), e mesocarpo carnoso (parte comestível). Possui uma semente envolvida pelo endocarpo, cobrindo os cotilédones. O pedúnculo é de tamanho médio a longo, inserido no centro ou lateralmente no fruto por uma parte mais grossa, chamada pedicelo. Podem ocorrer grandes variações de tamanho, cor, forma, casca, polpa e semente, dependendo das raças e variedades. Seu peso varia consoante a variedade.

Floração dicogâmica e tipos florais de abacateiro:

Relativamente à floração, o abacateiro é uma espécie peculiar por possuir caraterísticas diferentes das outras fruteiras que nós conhecemos. Apesar de as suas flores serem hermafroditas, apresentam um comportamento incomum, abrindo como femininas (com estigma recetivo e anteras fechadas) e como masculinas (com anteras abertas e estigma não recetivo), em diferentes momentos. Este fenómeno é conhecido por “dicogamia”. Cada fase de abertura dura apenas cerca de meio dia.

O período do dia em que se verificam essas etapas determina a classificação das cultivares em dois tipos. Algumas cultivares (tipo floral A) abrem pela manhã como funcionalmente femininas, fechando a seguir e reabrindo na tarde seguinte como funcionalmente masculinas. Outras cultivares (tipo floral B) abrem primeiro, à tarde, como funcionalmente femininas, fecham à noite e reabrem na manhã seguinte como funcionalmente masculinas. Em geral, em cada árvore, a abertura das flores é sincronizada, o que significa que, em cada momento, todas as flores abertas são funcionalmente masculinas ou femininas.

O pólen de abacateiro é capaz de polinizar as suas próprias flores – autopolinização. Porém, o fenómeno da dicogamia descrito anteriormente reduz a probabilidade de isso ocorrer, minimizando a quantidade de pólen próprio disponível durante o período em que os órgãos femininos estão recetivos. Daí que, para garantir uma boa polinização e uma boa produção, é necessário ter no pomar cultivares dos dois grupos (A e B). Quando a cultivar principal é do grupo A, deve ter-se em conta a necessidade de plantar polinizadoras do grupo B. Estas cultivares podem representar um encargo adicional para o produtor, uma vez que os seus frutos têm um menor valor comercial, reduz a área plantada com a cultivar principal e dificulta a colheita.

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