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PAPOILA . Breve introdução da cultura

A papoila é uma planta da Família das Papaveráceas, também conhecida como papoila dormideira.

A papoila é conhecida há mais de 5 mil anos – os sumérios já a utilizavam para combater problemas. Os antigos comiam a flor inteira ou maceravam-na para obter o sumo. Na Mesopotâmia, curavam-se doenças como a insónia e constipação intestinal com infusões obtidas a partir da papoila. Mais tarde, os assírios e depois os babilónios herdaram a arte de extrair o sumo leitoso dos frutos para fazer remédios.

É uma herbácea anual que apresenta propriedades alimentares, oleaginosas e medicinais. A planta apresenta um caule alto e ramificado, com folhas sésseis e ovaladas. As flores são grandes, brancas, rosas, violáceas ou vermelhas, e o fruto é uma cápsula. Por toda a planta circula um látex branco.

Todas as partes da papoila são consideradas venenosas, com exceção das sementes maduras. O ópio é retirado a partir do látex encontrado nas cápsulas antes de estas atingirem a maturação. Ao fazer cortes na cápsula da papoila, quando ainda verde, obtém-se um suco leitoso, o ópio, que contém cerca de 25 alcalóides – o mais importante deles é a morfina, presente em até 20% no ópio.

Os nomes relacionados à papoila são bem sugestivos. O nome científico da planta “somniferum” (relacionado a sono) e a origem do nome “morfina” (relacionada ao deus da mitologia grega Morfeu, o deus dos sonhos) levam-nos a compreender os efeitos que o ópio e a morfina podem produzir: são depressores do sistema nervoso central. Além disso, o ópio ainda contém outras substâncias, como a codeína, e é dele também que se obtém a heroína, uma substância semi-sintética, resultado de uma modificação química na fórmula da morfina. Todos os alcalóides do ópio são narcóticos, sendo o maior problema dos opiáceos o seu poder de provocar dependência. O uso constante e prolongado leva a um envenenamento crónico que pode causar deterioração física e até a morte.

Extrato de artigo de Rosa Blanco, in Revista Voz do Campo